Medição de obra: como fazer passo a passo e evitar glosas

Medições · 20 out. 2026 · 7 min de leitura · Equipe SIGO OBRA

A medição é o momento em que o serviço executado vira dinheiro. Veja como definir critérios, montar a memória de cálculo e o boletim e chegar à aprovação sem cortes.

A medição de obra é o momento em que o serviço executado no canteiro se transforma em faturamento. Se ela sai bem feita, o cliente aprova, a nota é emitida e o caixa da obra respira. Se sai com quantidades sem comprovação ou itens fora do contrato, vem a glosa — o corte de parte do valor medido — e, com ela, atraso no recebimento e desgaste com o contratante. A boa notícia é que quase todas as glosas têm causa conhecida e podem ser evitadas com método.

O que é medição de obra e para que ela serve

Medição é a apuração, em um período definido, das quantidades de serviço efetivamente executadas, valoradas pelos preços unitários do contrato. O resultado é o boletim de medição: o documento que diz quanto foi feito, quanto isso vale e quanto a construtora tem a receber naquele ciclo.

Além de base para o pagamento, a medição é o principal termômetro do avanço físico-financeiro: mostra quanto do contrato já foi executado, quanto falta e se o ritmo está de acordo com o cronograma. Em contratos públicos, a Lei nº 14.133/2021 determina que a execução seja acompanhada por fiscal que registre as ocorrências (art. 117) e prevê o recebimento provisório e definitivo do objeto (art. 140) — a medição é o que dá lastro técnico a essas etapas.

Antes de medir: critério de medição e contrato

A maior parte das discussões em medição nasce antes da primeira medição, quando o critério não foi combinado. Cada serviço precisa ter, no contrato ou no memorial, uma regra clara de como será medido e quando é considerado executado.

Monte uma tabela de critérios de medição na assinatura do contrato e peça o aceite do cliente ou da fiscalização. Na primeira divergência, a discussão passa a ser sobre o que foi combinado — e não sobre opinião.

Medição de obra passo a passo

Exemplo ilustrativo de boletim de medição

Os números a seguir são apenas ilustrativos, para mostrar a lógica do boletim. Imagine um contrato com 400 m² de alvenaria a R$ 85,00/m² e reboco a R$ 32,50/m². Nas medições anteriores já foram medidos 150 m² de alvenaria. Neste período foram executados 120 m² de alvenaria e 200 m² de reboco.

Agora suponha que a fiscalização encontre 15 m² de alvenaria que não estão na memória de cálculo nem nas fotos. A glosa é de 15 × R$ 85,00 = R$ 1.275,00, e o total bruto do período cai para R$ 15.425,00. A quantidade glosada pode voltar em medição futura, mas só com comprovação — e o dinheiro chega mais tarde.

Por que acontecem as glosas — e como evitar

A defesa é a mesma em todos os casos: rastreabilidade. Cada número do boletim deve ser explicado pela memória de cálculo, confirmado pelo diário de obra e ilustrado por fotos. Serviço extra precisa de aditivo ou, no mínimo, de ordem escrita do contratante antes de ser executado — medir primeiro e negociar depois é o caminho mais curto para a glosa.

Retenções e descontos na medição

O valor aprovado nem sempre é o valor que entra no caixa. Em serviços com cessão de mão de obra ou empreitada, o art. 31 da Lei nº 8.212/1991 prevê a retenção de 11% de INSS sobre o valor bruto da nota fiscal, nas hipóteses e com as deduções definidas pela Receita Federal. Também podem existir retenção de ISS conforme a lei do município, caução contratual e descontos de adiantamentos já pagos. Conferir essas retenções no boletim evita surpresa no fluxo de caixa e divergência na hora da nota.

Qual a diferença entre medição e faturamento?

A medição apura e valora o que foi executado no período; o faturamento é a emissão da nota fiscal com base no valor aprovado. Sem medição aprovada, não deveria haver faturamento — é ela que justifica o valor cobrado.

O que fazer quando a medição é glosada?

Peça a justificativa por escrito, item por item. Se a glosa foi por falta de comprovação, complemente a memória de cálculo e as fotos e reapresente a quantidade na próxima medição. Se discordar do critério, recorra ao que foi combinado no contrato e registre a divergência no diário de obra.

Com que frequência devo medir a obra?

A periodicidade deve estar no contrato. A mensal é a mais comum, mas obras curtas ou com pagamento por evento podem medir por etapa concluída. O importante é manter a mesma data de corte em todos os ciclos para que acumulados e saldos sejam comparáveis.

No SIGO OBRA, o módulo Medições monta o boletim com itens, unidades, quantidades e valores unitários, período, descontos de INSS e ISS e caução retida, mostra a prévia em A4 e gera o PDF. A medição passa por rascunho, análise e aprovação ou reprovação; ao ser aprovada, atualiza o percentual executado da obra, e cada recebimento registrado na conta bancária vira lançamento no Financeiro.

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